Ghost

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Libertando.

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Liberte-se. Dê uma pausa pra sua alma levitar, e que ela saia voando por aí de tão livre pelos ventos, em busca de boas novas. Que ela toque suavemente o céu, que deixe se levar pelo sopro de uma brisa calma, a paz que você mereça tão perto de ser alcançada.

Amei descontroladamente, mas só hoje dou conta dos erros desenfreados que cometi. Paixão nos cega, surda, mas nunca nos deixa mudo. Eu falei e escrevi muito sobre o que hoje só tenho como parte de uma lembrança confortável de ser resgatada, e mais do que isso, posso garantir que de onde estou agora tudo o que ficou é apenas passado. Passado de coisas que nem passamos. Estranho, não é? 

Assimilo essa história como um balão que há um certo tempo deixei voar. Nós temos o controle de boa parte do nosso destino nas próprias mãos, mas por medo de não escolher uma decisão correta, agimos como se não fosse algo de nossa responsabilidade. É mais fácil, menos problemático. Tomei coragem e o soltei, deixei subir ao céu e conquistar um espaço, um trajeto da qual não tenho conhecimento. Um infinito de novos rumos pra seguir sem mim. E eu cuidei desse balão por um longo período, acredite, era desafiador demais viver sem. Eu o enchi de ar, ar suficiente para que ele se mantivesse firme, seguro, cheio de esperança, estufado como prova da minha dedicação. Os riscos ficam cada vez mais próximos e o fim se aproxima de um jeito ou de outro. De tanto abraçar esse balão, eu poderia sufocá-lo ao ponto de estourar e não sobrar mais nada. A fragilidade colidida com o exagero de amar. Ou então esqueceria de sua existência, fazendo com que ele murchasse até perder vida. O passar dos dias apagando o que foi ruim, mas também todas as lembranças boas junto. Por outro lado, a decisão que tomei foi dar liberdade, de soltá-lo antes que o tempo decidisse por mim. 

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Decorei as marcas do seu sorriso em seu rosto.

E do toque de violão. 

E que compõe melodias na madrugada.

E que escreve poesias num caderno velho.

E canta com os olhos fechados.

Não sei quase nada sobre você,

mas o pouco que sei é tudo.

Tudo que eu tenho.

O estranho é ansiar por uma palavra a mais,

e morrer de medo de um vazio a menos.

Poema, pra mim, é aquilo que nem eu mesma sei pra quem escrevo.

Mas no fundo, lhe cai tão bem.

Vamos nos calar num silêncio apavorante.

E quando nenhum de nós mais aguentar, não direi que te amo,

direi o quanto.

Prefiro não te ver ao fechar meus olhos,

prefiro mesmo é ver você ao abri-los.

 

NxZero12Anos

A comemoração do 12° aniversário da minha banda favorita me fez começar a escrever algumas coisas que eu andava pensando bastante ultimamente. Uma dúzia de anos de estrada, de batalha e de sem dúvida, de muitas vitórias e conquistas. Posso dizer que, óbvio, não acompanhei isso desde o início, até por uma questão matemática de que eu teria 7 anos de idade quanto tudo começou e naquela época eu estava em outros gostos e interesses musicais, mas dessa caminho todo da minha banda preferida, eu venho vivendo coisas especiais há 5 anos. E sinceramente falando, a gente sabe quando algo ou alguém é sua banda ou artista preferido pela quantidade de bagagem que ela te trouxe e continua trazendo. Posso dizer sem sombra de dúvidas da imensidão de coisas que vivi, que aprendi, não são apenas histórias que carrego comigo pra sair contanto por aí, são memórias, são recordações que considero grandes acontecimentos. Vou me permitir estender o texto contando algumas delas: No primeiro show que fui, de entrada gratuita, era também o primeiro show que eu estava indo na vida. Eu acreditava que um show se parecia muito com aquele infinito de gente espremida que eu assistia na televisão, mas surpresa minha, era muito pior. Foi um dia memorável pra quem era claustrofóbica. Depois vieram as tentativas de algum contato, fazendo cartazes gigantes e escrevendo cartas, das quais eu chorava histericamente quando conseguia entregar. A possibilidade de ler já era outro caso a parte. E enfim veio aquela vontade, aliás, aquela necessidade avassaladora que desperta de querer conhecê-los. Eu sempre sonhava com coisas impossíveis quando era pequena, mas crescer me fez ser bem realista, ter os pés no chão e a cabeça de que existe muita dificuldade de se chegar em um artista. Não parecia acessível. Mas ao ver milhares de fãs conquistando seus momentos especiais e mostrando que era alcançável me permiti me dar uma chance, uma esperança. E eu transformei muitas expectativas em tentativas frustrantes, mas o mais importante nisso foi a resistência. Quanto mais  longe aquilo parecia estar, maior era a minha vontade. Na caminhada por um sonho a gente ganha parceiros, que são as pessoas que nos defendem, que acreditam em nós, que compartilham desse mesmo objetivo e divide momentos de espera em uma longa fila, de alegria numa oportunidade nova e decepção numa tentativa que deu errado. Meus agradecimentos infinitos vão para meus verdadeiros amigos e minha família. “O que é um sonho que se sonha só?”. Quando finalmente cheguei onde queria, quando os conheci, tirei fotos e toda aquela coisa de fã, eu me senti realizada, é claro, feliz e todas as demais sensações boas que existem no mundo, mas tirando isso, me senti estranha. Um sonho que viveu daquela ambição toda finalmente se realizou e bateu um vazio desesperador. E agora? Eu seria egoísta demais se falasse que queria repetir a emoção? Que almejo viver de novo, que quero mais, que meu momento não foi suficiente? Veio a vontade de ter aproveitado mais, de ter falado isso e perguntado aquilo… Enfim, e depois daquele primeiro encontro, eu corri atrás pra que não fosse o último. E felizmente não foi. A essa altura, toda as músicas que ouvimos começam a fazer muito mais sentido do que antes. Cada verso se encaixa numa parte da nossa vida, servindo de legenda pros acontecimentos. Elas embalam nossos medos, nossos erros e gloriosamente, nosso acertos também. Descreve com mais precisão os nossos sentimentos enroscados na garganta. E é incrível que cada dia a gente se sente mais próxima, sabe tanta coisa da vida deles, as vezes até mais do que eles sabem de si. A gente escuta a voz na televisão e logo identifica, ri das besteiras que falam e tem vontade de gritar junto quando ganham prêmios. A gente toma dores quando alguém critica, a gente se arrepia quando a música toca no rádio e morre de vontade de dizer pro mundo: “Escuta só a minha banda preferida!” porque o orgulho chega a extravasar o silêncio. Não lembro exatamente de como eu era há 5 anos atrás, mas sem dúvida nenhuma, eu estava completamente errada em muitas teorias. Se eu não tivesse carregado toda a bagagem, toda essa experiência e história que eu escolhi viver, eu estaria incompleta hoje. Talvez eu ainda esteja, e tenho muito o que presenciar pela frente, mas agora isso é tudo que eu preciso, tudo que eu necessito pra justificar porque eles se tornaram a minha banda preferida. E porque, claro, essa comemoração não poderia passar em branco.

Feliz 12 anos de verdade, de coragem, de fé, amor, dedicação e sucesso. Parabéns! :)

Discagem rápida.

Vontade perturbadora de me permitir ser louca, discar uns números no telefone pra ouvir sua voz, contar quantos toques demorou pra dizer ‘alô’, inventar alguma mentira e falar que foi engano. Ou, se você não atender, confirmar se você ainda existe no mundo real porque o meu mundo imaginário ainda é habitado pela estranha lembrança que eu tenho de você. Vontade de digitar seu nome numa pesquisa, saber da sua vida tão longe daqui, de mim… Apesar dos pesares eu ainda quero viver, e para isso, sei que nada disso se faz necessário. É só uma questão de vontade, que dá e que passa.

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Diário de Viagem [Parte 3] - Orlando, FL

Dia 25 acordamos cedo pra ir no primeiro parque Universal, o Universal Studios. Antes de chegar na entrada nós passamos pelo Citywalk, que é cheio de lojas e restaurantes super legais (Bubba Gump, Nascar e Hard Rock ficam nessa área) e fica bastante movimentado a noite.

Chegando no parque, que é todo temático voltado pra vários sucessos cinematográficos, você se sente dentro dos filmes. A divisão de cada área tem a decoração de algumas cidades, e é uma lindeza!

A Hollywood tem um charme californiano, é incrível. Tem até uma parte da calçada da fama. New York é toda trabalhada nos detalhes da cidade, nos prédios, nas ruas, em tudo! Amei. E tem um Starbucks pra ficar mais parecido ainda.

E falando dos brinquedos, logo que chegamos já pegamos fila pro Shrek 4D. A fila tava pequena e todo mundo comenta dele, então não perdemos tempo. Mas eu não achei lá essas coisas… É legal, mas a cadeira tem muito solavanco e chega a dar uma dor de cabeça, não sei explicar. Mas não perde o encanto, você se sente dentro de uma continuação do primeiro filme mesmo. Tem umas surpresinhas super legais, uns efeitos que te faz perceber como eles são ligados a detalhes mágicos. Depois, aproveitamos pra ir no simulador do Meu Malvado Favorito, e é MUITO boa! HAHA Além de ser uma gracinha, a diversão é muito maior, os carrinhos mexem bastante, e a sensação é de se tornar de verdade um Minion *-* Muita fofura! No final, quando você sai tem uma loja lotada de coisas do filme, mas antes, na saída do brinquedo você tem a oportunidade de conhecer um Million, tirar foto e foi o que eu fiz. HAHA 

Passei em frente a primeira Montanha Russa de verdade, desde o começo da viagem! A Hollywood Rip Ride Rockit é assustadora. Uma subida de 90°, uma descida de morrer de medo, um looping. E o pior de tudo pra mim: O assento do carrinho prendia você somente pela cintura, não é daqueles que prende o tórax. Mas a fila estava de 5 minutos e você ainda podia escolher uma música pra ouvir durante o percurso, fiquei doida pra ir, enfrentei o medo e fui. Foi uma das melhores, até repeti! Na primeira eu enrolei pra escolher uma música e foi uma aleatória que nem lembro, mas da segunda achei que Evanescence combinava demais então fui de ‘Bring Me to Life’. Sensacional.   

Andando pelo parque, o carro Máquina de Mistérios parou no meio do nada e desceram Scooby-Doo e Salsicha pra tirar fotos com quem tivesse por lá. 

Algumas lojas que ajudam a criar o ambiente da cidade que eles querem retratar são verdadeiras, como a de fotografia que eu simplesmente amei. Não cheguei a entrar pra ver o que tinha mas tirei uma foto em frente de tão arrumadinha que ela era.

Dando a volta por toda a Universal Studios, fomos no brinquedo do filme O Exterminador do Futuro. Ela simulava uma visita ao laboratório (acho!) e você assistia um pedaço do filme como se ele estivesse acontecendo lá dentro. Tem efeitos especiais e tudo mais, mas preciso confessar: Eu dormi lá dentro. Demora bastante, eu estava tentando entender e quando vi, tinha cochilado. Acordei quando ouvi o barulho de tiros que eram parte da encenação.

Almocei num restaurante italiano, comi massa com frango grelhado e eu e meu irmão compramos um copo edição especial do parque que te dava o direito de refil o dia todo. Mas não era só isso: Você tinha uma infinidade de opções como Coca-Cola de Vanilla, Laranja, Cereja, Limão, Framboesa, Blueberry, etc. Fora os tipos de Fanta, de chá gelado e sei lá mais o quê.

Na parte de São Francisco tinha um loja de doces maravilhosa, com M&M’s em tubos, muita coisa diferente e fofa! 

Na continuação do parque, fomos no brinquedo Disaster!, que parece um set de filmagem. Algumas pessoas foram escolhidas para atuar no mini filme, a gente assisti a gravação que é feita em Chroma Key e depois entra dentro de um metrô, onde tem a parte final do desastre. É insano, uma simulação perfeita de um acidente, com invasão de água e fogo. E logo após isso, vem a exibição do que foi gravado. Em seguida, fomos no brinquedo do MIB (Homens de Preto), onde você entra dentro de carrinhos e tem que atirar nos alienígenas com armas de laser, e no simulador de montanha russa dos Simpsons, que embora seja bem infantil, vale a pena pela sensação de estar dentro do desenho.   

  Por último, quase na hora de ir embora, passamos em frente a montanha russa do filme ‘O Retorno da Múmia’ e como a fila estava rápida, eu e meu irmão fomos… Foi SENSACIONAL. Ela é muito rápida, cheia de surpresas, efeitos especiais com fogo e vapor de água, e acabei repetindo de tão boa que é, levando meus pais junto dessa vez porque eles não poderiam ir embora sem conhecer. É inesquecível. 

   

O inesperado é uma incógnita. Pode ser tão bom quanto pode ser ruim, ninguém sabe. O inesperado com expectativa, o inesperado sem esperar, o inesperado provável, o inesperado jamais imaginado.. Quantas variações. Naquele dia 20 de março, pra mim, poderia ser um dia comum como qualquer outro, e eu sinceramente achava que era. Mas então, aos poucos, foi chegando o convite, os avisos de surpresas, as novidades, as possibilidades. Dentro da minha cabeça, a chance do inesperado ser aquilo que eu mais queria era de zero. Meu Deus, seria sonho demais, era ter muita expectativa, muito acaso, muita sorte.
Faz um ano, um ano inteiro. E desde aquele dia eu nunca mais os vi. Parece eternidade numa mistura de que parece que aconteceu ontem. Saudade, é claro, mas ela é preenchida com as memórias desse dia que de longe, foi um dos melhores que vivi até agora. Eu tinha tanto medo de acordar, perceber que tudo aquilo foi imaginário, algum sonho maluco que assombrou minha mente, mas não foi isso, foi incrivelmente real. Esse dia foi um daqueles em que dificilmente a gente acredita que vai viver um igual. 

O inesperado é uma incógnita. Pode ser tão bom quanto pode ser ruim, ninguém sabe. O inesperado com expectativa, o inesperado sem esperar, o inesperado provável, o inesperado jamais imaginado.. Quantas variações. Naquele dia 20 de março, pra mim, poderia ser um dia comum como qualquer outro, e eu sinceramente achava que era. Mas então, aos poucos, foi chegando o convite, os avisos de surpresas, as novidades, as possibilidades. Dentro da minha cabeça, a chance do inesperado ser aquilo que eu mais queria era de zero. Meu Deus, seria sonho demais, era ter muita expectativa, muito acaso, muita sorte.

Faz um ano, um ano inteiro. E desde aquele dia eu nunca mais os vi. Parece eternidade numa mistura de que parece que aconteceu ontem. Saudade, é claro, mas ela é preenchida com as memórias desse dia que de longe, foi um dos melhores que vivi até agora. Eu tinha tanto medo de acordar, perceber que tudo aquilo foi imaginário, algum sonho maluco que assombrou minha mente, mas não foi isso, foi incrivelmente real. Esse dia foi um daqueles em que dificilmente a gente acredita que vai viver um igual. 

“O que mais? Ela é tão linda! Não me canso de olhar para ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la. Não dá para escolher se você vai ou não se ferir neste mundo, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que Hazel aceite as dela.  
Eu aceito, Augustus.
Eu aceito.”
♥

“O que mais? Ela é tão linda! Não me canso de olhar para ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la. Não dá para escolher se você vai ou não se ferir neste mundo, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que Hazel aceite as dela.  

Eu aceito, Augustus.

Eu aceito.”

Fã.

Já diziam tantos e tantos artistas: “O que somos nós sem nossos fãs?” Nós, fãs, somos uma lista extensa de funções e cargos, somos tudo que podemos ser e mais um pouco, sempre queremos presentear com o nosso melhor. A admiração que depositamos em um ídolo, a dedicação que passamos a designar sem cobrança, sem julgamento, é uma grande prova de que é uma relação muito verdadeira. Mas não posso deixar de admitir que tudo isso só existe porque há dois lados opostos e que de tão conectados, chega a se igualar. O artista é uma representação do que queremos ser, é uma projeção dos nossos desejos e vontades, o lugar onde ele está, o modo como ele é visto, suas ações e sua forma de expressão nada mais é o que sempre sonhamos em ser, em ter. É por isso que estar mais perto deles, de conhecê-los e ver que tudo faz parte da realidade acaba sendo o nosso sonho. Mas isso nem sempre tão ao pé da letra, digo de forma direta ou indiretamente falando. Gosto de imaginar que qualquer artista, muito antes do ápice de seu sucesso e da vontade de ser ídolo de alguém, ele foi sem dúvidas, fã. Olhando na televisão, escutando uma música, na platéia de um teatro ou na poltrona do cinema, ele transformou admiração em algo pelo qual lutar, por fazer parte também. Eu poderia relatar aqui tudo o que já passei quando penso na palavra ídolo, mas isso levaria muito tempo, e muitas das minhas histórias são semelhantes com a de tantas outras pessoas. Mas enfim, ser fã é a coisa mais engraçada desse mundo, e bizarra também, não me surpreende o fato de termos um dia dedicado a nós. A palavra dedicação poderia ser repetida um milhão de vezes e ainda assim não seria suficiente; e como é bonito o significado dela nessa história toda, assim como fidelidade, esperança, amor, fé. O fã de verdade é destemido, é corajoso, é insistente, quer provar seu sentimento, quer ser notado e mais ainda, quer ser lembrado. Entre todas as coisas que eu já fiz, das que eu mais tenho boas histórias foi quando me joguei, e ainda me jogo nesse mundo louco, da qual eu sempre saio ganhando. Para todos os fãs, dos mais histéricos aos mais contidos, dos antigos aos novos, meu desejo pra esse dia é que nunca haja desistência de nossos sonhos, por mais utópicos ou impossíveis que eles possam parecer, nunca serão esquecidos  ou deixado de lado.

Feliz dia do Fã.  

“Eu estou - ele disse, me encarando, e pude ver os cantos dos seus olhos se enrugando. - Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.”  

A Culpa é das Estrelas | John Green

O que sobrou.

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Estou pra escrever sobre isso há dias, mas eu sempre esperava mais um pouco, não sei, acho que era a esperança de que tudo que eu dissesse fosse mudar. Quando a gente lê um livro sempre encontra frases clássicas como “engoli seco”, “suspirou”, “a voz trêmula”, “borboletas no estômago”, “aquele brilho nos olhos”, “sorriu timidamente”. Mas enfim, sei que foi total culpa minha ter transformado fragmentos no nosso cotidiano em cenas de filme, pra depois juntá-los na minha memória e chamá-la de nossa história. Que história é essa, afinal? Quem vai assisti-la? Quando você foi embora, deixou tantas coisas vazias, não somente me tirou sua presença, mas deixou lugares e espaços desocupados. Tão difíceis de serem ocupados agora. O coração acelerava em meio a possibilidade, mas a mente sempre me manteve realista, você não iria mais voltar, era adeus. Às vezes eu consigo resgatar muito de você nas coisas mais simples; numa palavra que você sempre dizia, nos lugares em que nós passávamos juntos, nas cadeiras que dividíamos, no perfume que ficava no ar, as roupas que você sempre vestia e que vejo em outras pessoas. Não importa quem as use, elas são suas na minha lembrança.

Desde o dia em que você desapareceu, sem dizer uma palavra, sem dar tempo de despedir, eu fico pensando muito sobre o que vou escrever. Antes, era tão mais fácil falar de presença, hoje já sei que tudo que eu for escrever será de ausência. Então fecho, com um ponto final, tudo sobre você, tudo que sobrou e que faltava expressar. Não existe mais nada, apenas existiu. 

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